A automação é uma realidade. Hoje, ela ameaça trabalhos braçais ou mecânicos e trabalhadores de fábricas em geral. Mas não só isso: a inteligência artificial tem evoluído e, cada vez mais, é possível encontrar robôs com capacidades cognitivas impressionantes. Por consequência, mais e mais empresas estão adotando tecnologias sofisticadas nesse sentido, especialmente em campos como finanças, saúde e seguros, segundo reporta matéria da Fast Company.

Sobre essa tendência, especialistas divergem. Um artigo recentemente publicado no New York Times mostra como profissionais em Wall Street estão sendo substituídos por softwares mais inteligentes, orientados por Big Data. Ao mesmo tempo, os professores Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, são otimistas quanto ao tema, e afirmam que o crescimento de máquinas inteligentes abrirá novos caminhos e profissões para o ser humano, focadas no conhecimento.

A pesquisa “Public Predictions for the Future of Workforce Automation” (ou, em tradução livre, “Previsões públicas para o futuro da automação da força de trabalho”), feita nos EUA, comprovou que dois terços dos norte-americanos imaginam que, em 50 anos, robôs e computadores farão muito do que atualmente é trabalho feito por humanos. Porém, a maior parte dos trabalhadores acredita que seus próprios trabalhos ainda existirão da forma como são hoje daqui a cinco décadas.

Em meio às contradições e controvérsia do assunto, Julia Kirby e Thomas H. Davenport resolveram escrever sobre isso de um ponto de vista diferente. “Ninguém tem falado de forma a dar ao indivíduo um senso de que ele pode fazer alguma coisa para moldar seu próprio destino. Esse foi o vácuo que enxergamos em todo o discurso sobre isso”, explica Kirby à Fast Company. O resultado desse pensamento é o livro “Only Humans Need Apply: Winners and Losers in the Age of Smart Machines” (que poderia ser algo como Trabalho só para humanos: vencedores e perdedoras na era das máquinas inteligentes), a ser publicado em maio (não há informações sobre possível publicação no Brasil).

A mensagem do livro consiste na ideia de que humanos e robôs poderão unir forças para alcançar algo nunca antes conseguido. De que forma? Precisamos nos adaptar a uma nova realidade, na qual nossa principal função será ligada ao conhecimento. Para os autores, os seres humanos terão que se transformar em bons argumentadores e isso manterá seus lugares no mercado.

O argumento é que, apesar da possibilidade de perder o emprego caso o trabalhador não se adapte às novas demandas, existe também a chance de expansão da oferta de trabalho envolvendo outro grupo de habilidades, com as máquinas tomando à frente de trabalhos mecânicos ou repetitivos. Kirby e Davenport acreditam em cinco passos estratégicos para promover essa expansão. Segundo os autores, essas estratégias são formas de os humanos agregarem valor às máquinas e o contrário também, cada qual reforçando o lugar e função do outro.

Que passos são esses? Tomar a frente, abrir caminho, intervir, super especializar e se adiantar. Pessoas que tomam a frente serão os líderes e executivos que precisam tomar decisões importantes. Estão no topo da pirâmide dos “argumentadores”. São eles que decidem onde as tecnologias cognitivas precisam ser usadas e como se encaixam na organização, em geral. Eles decidem o que as pessoas inteligentes e máquinas inteligentes fazem, e como trabalham juntos.

http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/como-nao-perder-seu-emprego-para-um-robo/109915/